aram-se por entre as árvores.
- ...certeza de que ele veio por aqui?
- Não podemos ter certeza..
- Tanto quanto sabem, pode bem ter se dirigido para o
leste. Ou abandonado a estrada para cortar através da
floresta. Era o que eu faria.
- Na escuridão? Estúpido. Se não caísse do cavalo e
quebrasse o pescoço, se perderia e acabaria de volta à
Muralha quando o sol nascesse.
- Não acabava nada - Grenn soava irritado. - Cavalgava
para o sul. Pode-se guiar pelas estrelas.
- E se o céu estivesse nublado? - perguntou Pyp.
- Então não ia.
Outra voz interrompeu.
- Sabem onde eu estaria, se fosse comigo? Em Vila
Toupeira, para escavar tesouros enterrados - o riso
estridente do Sapo trovejou através das árvores. A égua
de jon resfolegou.
- Calem-se todos - disse Halder. - Acho que ouvi qualquer
coisa.
- Onde? Não ouvi nada - os cavalos pararam.
- Você não consegue ouvir o próprio peido.
- Consigo, sim - insistiu Grenn.
- Calem-se!
Caíram todos no silêncio, à escuta. Jon deu por si
prendendo a respiração. Sam, pensou. Não fora até o
Velho Urso, mas também não fora para a cama, acordara
os outros rapazes. Malditos sejam todos. Chegada a
alvorada, se não estivessem nas camas, seriam também
chamados desertores. Que pensavam eles que estavam
fazendo?
O silêncio abafado pareceu esticar-se e voltar a esticar-
se. De onde Jon espreitava, conseguia ver as pernas dos
cavalos deles através dos galhos. Por fim, Pyp falou.
- Que foi que ouviu?
- Não sei - admitiu Halder. - Um som, pensei que pudesse
ser um cavalo, mas...
- Ali não há nada.
Pelo canto do olho Jon vislumbrou uma forma branca
que se deslocava por entre as árvores. Ouviu-se o
restolhar de folhas, e Fantasma saiu das sombras aos
saltos, tão subitamente que a égua de Jon se assustou e
soltou um relincho.
- Ali! - gritou Halder.
- Também ouvi!
- Traidor - disse Jon ao lobo gigante enquanto saltava
para a sela. Virou a cabeça da égua para escapulir por
entre as árvores, mas eles estavam em cima antes que
avançasse três metros.
-Jon! - gritou Pyp às suas costas.
- Para - disse Grenn, - Não pode escapar de todos.
Jon fez rodopiar a montaria para enfrentá-los, puxando
a espada.
- Voltem. Não quero machucar ninguém, mas o farei se
tiver de ser.
- Um contra sete? - Halder fez um sinal. Os rapazes
espalharam-se, rodeando-o.
- Que querem de mim? - Jon quis saber.
- Queremos levá-lo de volta para o seu lugar - disse Pyp.
- Meu lugar é com meu irmão.
- Seus irmãos agora somos nós - disse Grenn.
- Eles cortam sua cabeça se o apanharem, sabe? - Sapo
soltou uma gargalhada nervosa. -Isto é tão estúpido, é
como alguma coisa que um auroque poderia fazer.
- Não é nada - disse Grenn. - Não sou perjuro nenhum.
Disse as palavras e foi a sério.
- Eu também - disse-lhes Jon. - Não compreendem? Eles
assassinaram meu pai. É a guerra, meu irmão Robb está
lutando nas terras do rio...
- Nós sabemos - disse Pyp solenemente. - Sam nos contou
tudo.
- Temos pena pelo seu pai - disse Grenn -, mas não
importa. Depois de dizer as palavras, não pode partir,
aconteça o que acontecer.
- Tenho de partir - disse Jon fervorosamente.
- Você disse as palavras - lembroudhe Pyp. - Agora
começa a minha vigia, foi isto que disse. Não
terminará até a minha morte.
- Viverei e morrerei no meu posto - acrescentou Grenn,
concordando com a cabeça.
- Não é preciso me dizer as palavras, conheço-as tão bem
como vocês - agora estava zangado. Por que não podiam
deixá-lo ir em paz? Só tornavam as coisas mais difíceis.
- Soa a espada na escuridão - entoou Halder.
- O vigilante nas muralhas - piou Sapo.
Jon insultou-os a todos. Eles não lhe deram atenção.
Pyp fez avançar o cavalo, recitando:
- Sou o fogo que arde contra o frio, a luz que traz
consigo a alvorada, a trombeta que acorda os que
dormem, o escudo que defende os reinos dos homens.
- Não se aproxime - preveniu-o Jon, brandindo a espada.
- Falo sério, Pyp - eles nem sequer traziam armaduras,
podia cortá-los aos pedacinhos se tivesse de ser.
Matthar rodeara-o por trás. E juntou-se ao coro.
- Dou a minha vida e a minha honra à Patrulha da
Noite.
Jon bateu com os calcanhares na égua, fazendo-a
descrever um círculo. Os rapazes estavam agora em toda
a sua volta, aproximando-se por todos os lados.
- Por esta noite... - Halder aproximou-se a trote, vindo
da esquerda.
- ...e por todas as noites que estão por vir - terminou
Pyp. Estendeu a mão para as rédeas de Jon. - Portanto,
sua escolha é esta. Ou me mata ou torna comigo.
Jon ergueu a espada... e a abaixou, impotente.
- Maldito seja - disse. - Malditos sejam todos,
- Temos de atar suas mãos ou promete que voltará
pacificamente? - perguntou Halder.
- Não fugirei, se é isso que quer saber - Fantasma saiu
das árvores e Jon enviou-lhe um olhar zangado. - Pouca
ajuda você me deu - disse. Os profundos olhos vermelhos
olharam-no com inteligência.
- É melhor que nos apressemos - disse Pyp. - Se não
estivermos de volta antes da primeira luz da aurora, o
Velho Urso terá todas as nossas cabeças.
Da viagem de regresso Jon Snow pouco recordar